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Plano de orientaзхes a pacientes apуs o implante de dispositivos cardнacos eletrфnicos implantбveis


Autores. Mayara Sousa Vianna 1 ; Salete Maria de Fбtima Silqueira 2 ; Alessandra Rocha Luz 3 ; Fernanda Loureiro Ignбcio 4 ; Allana dos Reis Correa 5 ; Selme Siqueira de Mattos 6


Descritores: Marcapasso Cardнaco Químico, Dispositivos de Terapia de Ressincronizaзгo Cardнaca, Estimulaзгo Cardнaca Químico, Cardio-Desfibriladores, Educaзгo em Saъde


RESUMO:
OBJETIVO: Estabelecer um plano de orientaзхes para pacientes submetidos a implante de dispositivos cardнacos eletrфnicos implantбveis (DCEI), a partir da caracterizaзгo da populaзгo e identificaзгo das principais dъvidas na inscripción hospitalar.
MЙTODO: Estudo transversal, descritivo, realizado em um hospital universitбrio. A amostra incluiu pacientes submetidos a implante de DCEI que realizaram a primeira revisгo com telemetria apуs a cirurgia. A coleta de dados ocorreu por dois meses, durante orientaзхes de enfermagem para a entrada hospitalar. Os dados foram lanзadas em um bandada de dados do EpiData 3.1 e a anбlise descritiva foi realizada com dados relativos a frequкncia, mйdia e percentual.
RESULTADOS: Participaram 50 pacientes com idade mйdia de 63,66 anos, 54,0% dos quais eram mulheres, 80,0% havia completado o ensino fundamental, 82,0% era natural do interior do estado, 32,0% era morador de Belo Horizonte e 14%, procedente de zona rural. A maioria foi submetida а troca de gerador do dispositivo (48%) e os demais, a implantes de marcapasso (22%), cardiodesfibrilador implantбvel (26%) e ressincronizador (2%). As dъvidas mais frequentes foram quanto а posiзгo adequada para adormecerse (90%), sobre o procedimento cirъrgico (80%), cuidados com a cicatriz operatуria (72%), uso de caixas de som grandes (70%) ou micro-ondas (62%) e restriзхes com o braзo apуs a cirurgia (62%). Um plano de orientaзхes e um folheto de orientaзхes foram elaborados e modificados segundo resultados da pesquisa, abordando os cuidados, as restriзхes apуs a cirurgia e as informaзхes ao portador de DCEI.
CONCLUSГO: Profissionais de saъde podem contribuir para a prevenзгo de complicaзхes pуs-cirъrgicas e a preservaзгo da qualidade de vida do portador de DCEI, planejando orientaзхes direcionadas a suas dъvidas e mantendo um conhecimento atualizado sobre DCEI.


No Brasil, й crescente a morbidade por doenзas cardiovasculares, principalmente os transtornos de conduзгo e as arritmias cardнacas, que em 2012 causaram a internaзгo de 57.640 pessoas 1 .


O nъmero de implante de dispositivos cardнacos eletrфnicos implantбveis (DCEI) tambйm cresceu no Paнs, graзas ao avanзo tecnolуgico no tratamento de doenзas cardнacas. Esse legado й comprovado pelo nъmero de procedimentos realizados nos ъltimos anos: 19.937 em 2010, 20.857 em 2011 e 21.953 em 2012. Nos trкs anos, Sгo Paulo apresentou o maior nъmero de implantes e, tan pronto como em janeiro de 2013, registrou 429 implantes de DCEI. Minas Gerais foi o segundo estado brasileiro com o maior nъmero de internaзхes pуs-implante de DCEI nesse mesmo perнodo e realizou 228 implantes em janeiro de 2013. Em alguns estados, mientras, nenhum procedimento foi realizado no triкnio 1 .


Sгo considerados DCEI os marcapassos (MP), que tкm como principal funзгo a terapкutica da bradicardia, os cardiodesfibriladores implantбveis (CDI), para a terapкutica da taquicardia ventricular e da fibrilaзгo ventricular, e os ressincronizadores cardнacos (RC), destinados ao tratamento da insuficiкncia cardнaca 2 .


Cerca de 80% dos geradores de pulso implantados no Brasil sгo notificados ao Registro Brasileiro de Marcapasso, Cardiodesfibriladores e Ressincronizadores (RBM), uma importante ferramenta de pesquisa. Entre junho de 2004 e maio de 2005, o RBM registrou 15.804 procedimentos, sendo 10.447 implantes de MP, 543 implantes de CDI, 366 de RC e 4.448 reoperaзхes, 56,1% dos quais ocorreram na regiгo sudeste 3 .


As etiologias mais frequentes que demandaram o implante do MP foram: fibrose do sistema de conduзгo (32,9%), doenзa de Chagas (15,44%) e isquemia (5,9%). Quanto ao implante de CDI, as etiologias mais frequentes foram a doenзa de Chagas (26,1%) e a isquemia miocбrdica (18,7%). Nos pacientes que receberam o implante de ressincronizador, as principais etiologias foram a doenзa de Chagas e a cardiopatia isquкmica (20,5% cada uma), seguidas da fibrose do sistema de conduзгo (10,4%) 3 .


Nota-se o progresso da estimulaзгo cardнaca sintético, que se mostra cada vez mais diversificada em seu modo de funcionamento, com ingreso confiabilidade e seguranзa. Isso decorre da associaзгo do desenvolvimento da tecnologia de fabricaзгo e das tйcnicas de implante do marcapasso, alйm do maior conhecimento eletrofisiopatolуgico sobre os distъrbios de conduзгo cardнaca 4 .


Diante desse progresso, muitas pessoas passaram a se beneficiar desse tratamento e torna-se necessбrio avaliar o conhecimento e a prбtica do autocuidado em relaзгo ao uso do MP definitivo, pois o usuбrio precisa memorizar a conviver com o DCEI, adaptando-o a seu estilo de vida 5. Os pacientes devem ser orientados pela equipe de saъde a viver normalmente e informados a respeito das funзхes do aparelho, da necessidade de utilizaзгo e das restriзхes apуs o implante 6. Quando a informaзгo й completa, o paciente sente-se mais seguro para contraponer a nova situaзгo 7 .


Mientras tanto, a prбtica clнnica mostra o desconhecimento dos pacientes e mesmo de alguns profissionais de saъde sobre a seguranзa e os medios envolvidos na tecnologia dos DCEI. Em uma investigaзгo realizada para avaliar o conhecimento de pacientes a serem submetidos ao implante de marcapasso cardнaco definitivo foram observadas falhas no processo de ensino e aprendizagem, pois a maioria dos entrevistados nгo relatou ter sido orientada sobre o cuidado com a incisгo cirъrgica, por exemplo. Isso ocorre pois, na maioria das vezes, o processo de ensino-aprendizagem й realizado de forma mecвnica e apressada, nгo considerando as condiзхes e as necessidades de cada paciente 8 .


Estudos para identificar dъvidas de pacientes no pуs-operatуrio de implante de CDI permitem observar que apresentam inseguranзa quanto ao tratamento. Isso pode ser explicado pela baixa qualidade da comunicaзгo entre a equipe de saъde e o paciente, principalmente pela utilizaзгo constante de uma linguagem excessivamente tйcnica 9,10 .


Pesquisa realizada para avaliar materiais educativos relacionados ao CDI constatou que a complexidade dos textos analisados й superior а recomendada, tendo recomendado a adoзгo uma linguagem apropriada ao pъblico-alvo e o material instrucional desenvolvidos de acordo com as Diretrizes Brasileiras de Dispositivos Cardнacos Eletrфnicos Implantбveis, contendo informaзхes relevantes para uma populaзгo multicultural e diversificada 11 .


A avaliaзгo da eficбcia de um guia educativo na preparaзгo de pacientes para implante de marcapasso definitivo revelou que seu nнvel de conhecimento aumentou 93,3% apуs a leitura do guia 12 .


Compreender a razгo e as particularidades do marcapasso facilita o comportamento do portador do aparelho. A errata de conhecimento faz com que as pessoas reprimam-se por medo do desconhecido, emoзгo e projeзгo, o que pode causar desequilнbrio e desgaste emocional. O marcapasso й carregado de representaзхes culturais claramente distantes das classificaзхes cientнficas que pertencem ao mundo acadкmico 5. Para uma boa comunicaзгo com o paciente nas orientaзхes sobre DCEI, o profissional de saъde deve considerar o enterarse popular e integrб-lo ao conhecimento cientнfico, aparato eficaz para combater preconceitos e mitos.


O desenvolvimento deste estudo foi motivado pela experiкncia de uma das autoras como enfermeira residente do Software de Residкncia Integrada Multiprofissional do Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HCUFMG), na бrea de concentraзгo em saъde cardiovascular. No Laboratуrio de Marcapasso da Instituiзгo, durante o atendimento ao paciente submetido a implante de DCEI, foi identificada carкncia de materiais didбticos de apoio аs orientaзхes sobre DCEI e percebida a necessidade de organizar a transmissгo de informaзхes.


Й importante ressaltar a relevвncia dessa abordagem em decorrкncia da dificuldade apresentada pelos pacientes apуs o implante de DCEI com relaзгo ao autocuidado pуs-cirъrgico e o uso do dispositivo e tambйm pela necessidade de planejar as orientaзхes a esses pacientes antaño da entrada hospitalar.


O objetivo do estudo foi elaborar um plano de orientaзхes para pacientes submetidos a implante de DCEI, a partir da caracterizaзгo da populaзгo estudada e da identificaзгo das principais dъvidas manifestas.


Trata-se de um estudo transversal, descritivo, do qual participaram 50 pacientes, o que representa 59,5% do nъmero total de implantes de DCEI realizados no perнodo no HCUFMG, considerando o erro amostral tolerбvel de 9%.


A amostra foi composta por pacientes maiores de 18 anos submetidos a implante de DCEI que compareceram ao Laboratуrio de Marcapasso para realizar a primeira revisгo com telemetria apуs a cirurgia, no perнodo de 08 de agosto a 17 de outubro de 2013. Foram incluнdos os que receberam orientaзхes antiguamente ou atй cinco dias apуs a adhesión hospitalar e excluнdos os que apresentaram confusгo mental ou deficiкncia de visгo, audiзгo ou fala.


Foi cuidado um útil de coleta dos dados para caracterizar a populaзгo e identificar as dъvidas durante as orientaзхes, incluindo as variбveis: sexo, idade, naturalidade, procedкncia, profissгo, escolaridade, estado civil, tipo de moradia, nъmero de moradores em casa, nъmero de filhos, tipo de DCEI implantado e comorbidades. O aparato passou por um prй-teste a fim de avaliar a viabilidade de sua aplicaзгo durante as orientaзхes e por um teste-piloto com 20 pacientes para adequaзгo а amostra.


Durante as orientaзхes, alguns bienes permitiram melhorar o entendimento dos pacientes a respeito dos dispositivos (marcapasso, CDI e ressincronizador), apresentar em Power Point 2007 figuras e vнdeos sobre como sгo implantados os aparelhos, seu modo de funcionamento e um folheto de recomendaзхes baseado nas Diretrizes.


As orientaзхes foram feitas sempre pelo mesmo enfermeiro pesquisador, individualmente ou em grupos de atй quatro pessoas, constituнdos por pacientes e acompanhantes, abordando assuntos referentes ao uso de DCEI a partir do conhecimento prйvio dos participantes. A fim de identificar suas principais dъvidas, os participantes foram questionados sobre o conhecimento a respeito de cuidados imediatos apуs cirurgia, restriзхes no primeiro mкs apуs implante e informaзхes para a vida de um portador de DCEI. As informaзхes coletadas foram lanзadas em um bandada de dados do EpiData 3.1. A anбlise utilizou a estatнstica descritiva com dados relativos a frequкncia, mйdia e percentual, considerando as variбveis do estudo.


O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitк de Йtica e Pesquisa da UFMG em 06 de agosto de 2013, com o Certificado de Apresentaзгo para Apreciaзгo Йtica nє 17704413.6.0000.5149.


Participaram da pesquisa 50 pacientes com a mйdia de idade de 63,66 anos (dp=16,27), a maioria mulheres (54%). A maior parte das mulheres relatou ser dona de casa (36%). Entre os homens, magnate parte era de aposentados (52%) e 4% trabalhava como motorista de caminhгo ou фnibus. Em relaзгo ao nнvel de escolaridade, al punto que 2% possuнa curso superior completo e 12% era analfabeto. A escolaridade encontrada com maior frequкncia foi o ensino fundamental completo, em 38% dos pacientes. A maioria da amostra (80%) havia completado o ensino fundamental completo.


Muitos residiam fora de Belo Horizonte ou da regiгo metropolitana (42%). Tan pronto como 32% morava em Belo Horizonte e somente 18,75% era natural dessa cidade. A maioria havia nascido em cidades do interior de Minas Gerais (82%) e 6% era natural de outros estados do Brasil. Moradores de zona rural representaram 14% da amostra.


O nъmero de moradores em casa foi diversificado, porйm a maioria dos pacientes (60%) residia com mais uma ou duas pessoas. Dentre os participantes, 54% era casado e 17,39% morava sozinho.


A maioria das cirurgias realizadas consistiu de troca de gerador do dispositivo (48%). Dentre os implantes de dispositivos realizados pela primeira vez, 22% foram de marcapassos, 26% de cardiodesfibriladores implantбveis e escasamente 2% de ressincronizadores. Dentre os participantes, 72% relatou hipertensгo arterial sistкmica, 20%, diabetes e 42%, doenзa de Chagas.


O assunto que suscitou mais dъvidas foi a posiзгo do corpo para pernoctar nos primeiros 10 dias (90%), seguido de dъvidas relacionadas ao procedimento cirъrgico (80%). Mais de 60% dos pacientes apresentou dъvidas em relaзгo aos cuidados com a cicatriz operatуria (72%), uso de caixas de som grandes (70%) ou micro-ondas (62%) e restriзхes а movimentaзгo do braзo no primeiro mкs apуs a cirurgia (62%). A frequкncia das dъvidas й apresentada no grбfico 1.



Grбfico 1: Porcentagem de pacientes que tiveram dъvidas, por assunto abordado.



Apуs a anбlise dos dados, os materiais previamente elaborados foram modificados de acordo com os resultados da caracterizaзгo dos pacientes e das dъvidas encontradas. Os assuntos abordados diziam respeito a cuidados imediatos apуs a cirurgia, restriзхes no primeiro mкs apуs o implante e informaзхes para a vida do portador de DCEI.


A mйdia de idade dos pacientes (63,66 anos) foi semelhante а encontrada em outras investigaзхes atuais. Dentre os implantes realizados no Brasil entre junho de 2004 e maio de 2005 registrados no RBM, a mйdia de idade foi de 68,2 anos em todos os procedimentos 3. Estudos abordando somente pacientes que implantaram CDI tambйm mencionaram uma mйdia entre 60 e 70 anos 9,13,14. A idade deve ser considerada, manido que pode estar relacionada а oportunidade e а capacidade de aprendizagem e de assimilar informaзхes, bem como а experiкncia de vida dos pacientes 9 .


A maior parte da amostra era composta por pacientes do sexo feminino, o que estб de acordo com a distribuiзгo populacional do Brasil quanto aos sexos em 2012 1. Porйm, em estudos que caracterizaram a populaзгo com diferentes tipos de DCEI, a maioria й composta por homens 5,8,9,13,15 .


Estudos recentes 9-11,13,16 sobre DCEI abordam principalmente o uso do CDI, o que demonstra vasto atenзгo dos pesquisadores com esse dispositivo. No presente estudo, dentre os dispositivos implantados pela primeira vez, os CDI predominaram.


A doenзa de Chagas foi uma patologia presente em magnate parte dos pacientes do estudo. Й causa frequente de implante de DCEI e o principal motivo de implante de CDI 3. Devido ao кxodo rural nas ъltimas dйcadas, uma conspicuo quantidade de indivнduos chagбsicos passou a viver na periferia das grandes cidades e a doenзa de Chagas passou a ser encontrada em бreas urbanas. Portadores da forma cardнaca da doenзa podem apresentar distъrbios de conduзгo e necessitar de estimulaзгo cardнaca permanente 7 .


O baixo nнvel de escolaridade й uma dificuldade para a retenзгo de informaзхes sobre a doenзa e o tratamento e que pode ser uma barreira no processo de educaзгo em saъde 8. Os resultados da presente pesquisa mostram que 80% dos pacientes havia concluнdo o ensino fundamental e a taxa de analfabetismo foi de 12%.


Segundo dados do IBGE de 2010, 9,4% da populaзгo brasileira й analfabeta e, mesmo na regiгo sudeste, a mais desenvolvida do Paнs, a porcentagem de analfabetismo й de 5,3% 1. Nessa situaзгo, os profissionais de saъde devem utilizar capital e dinвmicas variados com objetivo de promover a aprendizagem. Estratйgias mais simples devem ser usadas, considerando o estilo de aprendizagem do paciente e fornecidas informaзхes de acordo com suas necessidades individuais. O paciente deve sentir-se а vontade e confiante para expressar seus sentimentos e dъvidas 8 .


A direзгo veicular profissional й vetada de forma permanente aos portadores de implantes de CDI ou ressincronizador e restrita por al punto que quatro semanas para os que implantam marcapasso. O motorista particular que recebe um implante de DCEI somente terб permissгo para voltar a dirigir quatro semanas apуs o implante 17. Dentre a populaзгo do presente estudo, escasamente 4% realizava a direзгo veicular profissional e foi orientado quanto aos cuidados necessбrios.


A porcentagem de pacientes que morava na zona rural (14%) foi semelhante а encontrada na populaзгo brasileira no ano de 2010 (15,63%) 1. conocido que o HC-UFMG й um hospital de referкncia para todo o estado de Minas Gerais. Ancho parte da amostra nгo trabalhava fora de casa (88%), pois eram aposentados ou realizavam atividades domйsticas. Estudo desenvolvido para avaliar a influкncia do marcapasso na vida dos indivнduos com doenзa de Chagas mostrou que muitos moradores da zona rural interrompem o trabalho por inaptidгo fнsica e alguns da zona urbana relatam empecilhos para trabalhar devido a preconceitos culturais relacionados а doenзa 7 .


Uma pequena parte da populaзгo do estudo morava sozinha, o que reforзa a necessidade da presenзa de um frecuente ou acompanhante nos cuidados pуs-implante e durante as orientaзхes, para ajudar o paciente a rememorar as recomendaзхes, colaborar nos cuidados decorrentes do uso do dispositivo e na aceitaзгo dos novos hбbitos de vida.


Estudo realizado para identificar as principais necessidades e problemas desses pacientes apуs a reincorporación hospitalar revelou que a maioria das informaзхes recebidas no hospital enfocava a terapia medicamentosa e pouco dizia a respeito do dia a dia com o uso do aparelho 16. A compreensгo do paciente sobre os riscos e os benefнcios da terapia com CDI й insatisfatуria e as estratйgias de educaзгo antiguamente e depois do implante requerem melhorias 13 .


A presente pesquisa revela que amplio parte (90%) apresentava dъvidas quanto a posiзгo para adormilarse apуs o implante do DCEI. Muitas vezes os pacientes dormiam na posiзгo correta por medo e nгo por terem recebido orientaзхes a esse respeito. Referiram tambйm que planejavam nгo tumbarse do banda do implante durante toda a vida. Segundo recomendaзхes de hospitais de referкncia cardiolуgica no Brasil, o paciente deve evitar echarse do flanco que foi implantado o DCEI nos primeiros dez dias apуs o implante 18,19 .


Outra dъvida muito frequente foi quanto ao procedimento cirъrgico realizado (80%), o que revela falha nas orientaзхes prй-operatуrias. Os pacientes passam por modificaзхes no estado fнsico e aumento da ansiedade no momento de serem informados sobre o procedimento cirъrgico. Dessa forma, o aprendizado e a compreensгo ficam comprometidos. O enfermeiro deve considerar e avaliar essas limitaзхes em seu plano de trabalho, oferecendo informaзхes de forma clara e em linguagem acessнvel 8 .


Orientaзхes de cuidados pуs-cirъrgicos a serem desenvolvidos no domicнlio sгo importantes para a reabilitaзгo mais rбpida e tranquila, sem complicaзхes. Conspicuo parte da amostra do estudo apresentou dъvidas quanto aos cuidados com a cicatriz operatуria (72%) e restriзхes а movimentaзгo do braзo no primeiro mкs apуs a cirurgia (62%).


Os cuidados com a cicatriz cirъrgica sгo importantes na prevenзгo de infecзхes e podem contribuir para a diminuiзгo da morbimortalidade dos pacientes apуs o implante de DCEI. Os pacientes devem ficar atentos quanto а presenзa de sinais e sintomas de complicaзхes decorrentes do implante, como hematoma, sangramento, edema, dor, secreзгo purulenta, rubor e aumento da temperatura lugar 8. Alйm disso, a cicatriz cirъrgica deve ser mantida limpa e sequía, sendo higienizada casi nada com бgua e sabonete 18,19 .


O paciente deve ter cuidados com a movimentaзгo e uso do braзo do banda onde foi realizada a cirurgia no primeiro mкs apуs o implante. Deve evitar movimentos fortes com o braзo e, se for erguк-lo, nгo deve fazer movimentos bruscos. Caminhadas nesse primeiro mкs sгo permitidas em qualquer distвncia, porйm em ritmo gradual para nгo forзar os braзos. Nгo й aconselhado dar pulos, dirigir automуveis ou bicicletas, alucinar de carro em estradas de terra e carregar ou empurrar pesos 18,19 .


O paciente precisa conhecer os possнveis obstбculos que irб encontrar na vida apуs o implante, para criar fortuna que permitam melhorar sua qualidade de vida. A aceitaзгo e a adaptaзгo do estilo de vida ao uso do dispositivo sгo bienes que auxiliam no desenvolvimento de um comportamento natural e para que sejam desenvolvidas novas prioridades no frecuente 5 .


Os pacientes possuem dъvidas comuns entre os indivнduos que moram em бrea urbana, relacionadas ao uso de tecnologias, como telefone celular, caixas de som, telefone sem fio e fornos de micro-ondas. Algumas situaзхes podem causar interferкncias sobre o DCEI e provocar modificaзхes funcionais dos dispositivos, por fenфmenos mecвnicos ou quнmicos extrнnsecos ou pela presenзa de sinais elйtricos. Os eletrodomйsticos normalmente nгo causam interferкncias, mas podem causar danos se estiverem em mбs condiзхes de aterramento 2 .


Dentre os aparelhos que podem causar interferкncia, o uso de micro-ondas e caixas de som de egregio porte foram os que mais causaram dъvidas, 62% e 70% respectivamente. Em contrapartida, estudo realizado para identificaзгo das principais dъvidas de pacientes no pуs-operatуrio de implante de CDI, encontrou que al punto que 42% dos entrevistados teve dъvidas sobre o uso desses dois aparelhos 9 .


Antigamente, o uso do micro-ondas por pessoas que utilizavam DCEI era questionado pela possнvel fuga de energia devido a vedaзгo ineficiente do sistema. Com o avanзo tecnolуgico dos dispositivos e melhoria da blindagem dos fornos micro-ondas, a recomendaзгo atual й que o paciente mantenha a distвncia de dois metros do aparelho durante seu funcionamento 18,19 .


Amplificadores de som e caixas acъsticas de prócer porte tambйm podem interferir dos DCEI, mas nгo hб perнmetro de seguranзa definido. A recomendaзгo й evitar o contato prуximo com esses aparelhos e afastar-se deles em caso de sintomas de baixo dйbito cerebral 2 .


Durante o desenvolvimento do estudo, dъvidas nгo habituais na letras foram apresentadas pelos pacientes, como a passagem em roletas de фnibus (4%), a utilizaзгo de chuveiro elйtrico (4%) e os cuidados ao subir escadas no pуs-operatуrio (8%). Muitos apresentaram medo por imaginar que a utilizaзгo do dispositivo atrairia raios durante tempestades (26%). O esclarecimento dessas dъvidas passou a fazer parte do plano de orientaзхes.


A distribuiзгo de folhetos informativos ao final das orientaзхes foi muito importante para que os pacientes se sentissem seguros de que possнveis dъvidas posteriores poderiam ser esclarecidas. Esse aspecto reforзa a importвncia da continuidade da distribuiзгo dos folhetos com as modificaзхes realizadas apуs o desenvolvimento do estudo. Pesquisa desenvolvida com pacientes no pуs-operatуrio de implante de CDI revelou que 100% gostaria de receber um manual de orientaзхes relacionadas ao procedimento e ao tratamento com o dispositivo 9 .


Os participantes do estudo eram, em sua maioria, idosos e com baixo nнvel de escolaridade, o que tornou necessбrio elaborar materiais repletos de imagens e com uma linguagem simples, possibilitando sua compreensгo. Seu desenvolvimento possibilitou melhorar a atuaзгo dos profissionais de enfermagem na orientaзгo dos pacientes apуs o implante do DCEI. O processo de orientaзгo tornou-se sistematizado, com organizaзгo das informaзхes a serem transmitidas.


A informaзгo dos pacientes sobre os cuidados apуs o implante deve ocorrer desde o inнcio do processo assistencial. Й preciso lembrar, mientras, que antiguamente da cirurgia muitos deles mostram-se ansiosos com o procedimento cirъrgico. Dessa forma, as informaзхes transmitidas no momento da entrada hospitalar sгo de ilustre importвncia, manido que os pacientes jб superaram a ansiedade prй-operatуria e recuperaram-se do procedimento cirъrgico.


Nгo se deve permitir que o desconhecimento ou as informaзхes incorretas tragam prejuнzos а vida dos pacientes. Mitos populares podem afetar negativamente os cuidados pуs-cirъrgicos e tambйm a qualidade de vidas dos pacientes com DCEI, pois muitas vezes levam a restriзхes desnecessбrias e geram preconceito.


Os profissionais de saъde podem auxiliar na prevenзгo de complicaзхes pуs-cirъrgicas e na preservaзгo da qualidade de vida do paciente que implanta um DCEI a partir de orientaзхes programadas, humanizadas e com informaзхes atualizadas, especialmente antaño da reincorporación hospitalar.


Espera-se que o desenvolvimento deste estudo suscite discussхes entre os profissionais de saъde a respeito do tema e estimule a realizaзгo de outras pesquisas voltadas а orientaзгo de pacientes que recebem implantes de DCEI.


Agradecemos aos colaboradores da Residкncia Multiprofissional Integrada em Saъde pela oportunidade de desenvolvimento do trabalho e a colaboraзгo de toda equipe de profissionais do setor de cardiologia. Agradecemos tambйm aos pacientes que participaram da pesquisa pela confianзa no trabalho da Enfermagem.


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1. Enfermeira Graduada pelo Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais
2. Enfermeira Doutora do Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais
3. Enfermeira Experto do Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais
4. Enfermeira Graduada pelo Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais
5. Enfermeira Mestre do Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais
6. Enfermeira Doutora do Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais


Correspondкncia:
Mayara Sousa Vianna
Rua Corumbб, 291 – Apto. 303 – Carlos Prates
CEP: 30710-280. Belo Horizonte – MG
Telefone: (31) 3272-7071 / (31) 8888-7071
E-mail: mayarasv@yahoo.com.br


Artigo submetido em 11/2013 e publicado em 03/2014.


Estudo realizado no Hospital das Clнnicas da Universidade Federal de Minas Gerais.

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